Pessimista disfarçada de otimista

Quem é meu amigo faz tempo deve se lembrar que minha definição na internet (Orkut, facebook, etc), era “Pessimista disfarçada de pessimista”. Depois virou “Pessimista disfarçada de otimista disfarçada de pessimista. Entendeu ou quer que eu explique?”

Bem, de verdade, mesmo, eu sou uma bela de uma pessimista. Eu sempre acho que TUDO vai piorar. CERTEZA. É claro que todo mundo que me conhece sabe que eu estou sempre rindo, fazendo brincadeiras, contando piadinhas (de verdade, adoro piadinhas, pois se dependesse de mim, não existiria jamais NENHUMA piadinha, eu não consigo nem acreditar que alguém fica imaginando e criando uma piadinha, eu não seria capaz de um feito desses! E é por isso que piadas SEMPRE me surpreendem, e por isso é que eu dou tanta risada. E saio contando).

Bem, além disso, muitas pessoas, eu, e um de meus alunos, por exemplo, e MUITA gente, rimos também quando temos vergonha. Sim, eu, apesar de, talvez, não parecer, depende do ponto de vista, claro, sou MUITO tímida e envergonhada. É que, por ser artista, luto contra isso há uns 20 anos, e creio ter melhorado. Às vezes até consigo disfarçar, juro.

Então, pela vergonha, acabo rindo, e todos pensam que sou alegre, ou simpática, ou boba. Depende do ponto de vista.

O que acontece, DE VERDADE, é que estou constrangida, ou, morrendo de medo, ou envergonhada, ou surpreendida, ou disfarçando algo, ou, de verdade, muito irritada e até TRISTE. Não tenho escrito muito, recentemente, pois ando muito pra baixo, como diz uma grande amiga, no “lado negro da força”. E não tem a ver com testes de orquestra em que eu não passei, juro. Tem a ver com minhas tristezas existenciais, mesmo. Pois, por mais que eu tenha o sonho de tocar na Orquestra Municipal, na Jazz ou na Osusp, e até mesmo na Osesp (nessa ordem), apesar de lá ser extremamente pesado na carga horária, mesmo assim, a coisa que eu mais quero na vida é ser feliz. E ser feliz não tem, ABSOLUTAMENTE nada a ver com ter um posto ou um status ou dinheiro. De verdade, eu ralo MUITO no trabalho, mas NUNCA me faltou, exceto quando EU pedi demissão, então, de fato, eu pedi isso. Mas, apesar de não sobrar pra quase nada, eu nunca precisei de muito mais do que eu tenho ou tive.

Eu não tenho grandes pretensões financeiras, somente terminar minha casa, fazer uma viagem longa pela Itália e pela França, conhecer a Amazônia, coisinhas assim. Juntar uma graninha para o futuro das crianças, para uma previdência, essas coisinhas. Ir para NY e escolher “o violoncelo” em algum atelier de sonhos (eu sei qual), mas não sei, de fato se ele é como eu sonho…

E, trocar, em relação às minhas coisas, trocar quantidade por qualidade. Só isso. De verdade. Sem pretensões enormes. Não sonho em tirar o emprego de ninguém, em tirar a vaga de ninguém, não tenho grandes maldades, a não ser mandar alguém pro inferno no trânsito, é claro, sem ninguém saber – vocês já sabem que sou muito educada, pelo post anterior – e, muita gente acha o inferno mais divertido do que o céu, meu tio Luis sempre falava isso, deixando minha Nonna horrorizada, então, nesse caso, mandar pro inferno nem é tão ruim assim…

Tenho alguns amigos, muitos conhecidos que simpatizam comigo, pouquíssimos inimigos, mas são REALMENTE três pessoas que não gostam de mim, e deixam isso claro, e querem meu mal. Também não vou ficar AMANDO essas pessoas, pois elas são tão burras que me querem mal e acham que são discretas, mas de verdade deixam isso TÃO claro, como 2 mais 2 resulta em 4, não dá para amá-los, não dá. Eu sou educada, mas não santa!

A música do Cartola (gênio absoluto) diz: “quem me vê sorrindo, pensa que estou alegre, o meu sorriso é por consolação, porque sei conter, para ninguém ver, o pranto do meu coração…”, mas… EU,… eu não sei. Eu não sei esconder. Mas ninguém fica confortável ao lado de alguém que sofre. Por isso eu tenho sido uma BRILHANTE pessimista disfarçada de otimista. Mas, de fato, meu humor sempre foi mais para Machadiano, nunca para o humor do Candide! Ou do Lazarillo de Tormes, conto lindo que eu tive o prazer de ler no primeiro ano da Faculdade de Letras da USP – outro grande prazer, a Faculdade de Letras, nunca me esquecerei dessa parte linda da minha vida!

Perdoem-me, mas, apesar disso, vou ficar no lado negro da força, pois eu, infelizmente, não sei conter tão bem assim: a vida é muito pesada, e é muito duro de agüentar tantas decepções!

A felicidade para mim é um sorriso, um beijo na boca, um amor muito forte gritando no peito, uma paisagem incrível, um cheiro de mato, um som divino, tocar feliz por um segundo, uma paixão, uma dança, um samba, um aprendizado meu, um aprendizado de um aluno, uma cuíca, o movimento lento da 9ª. de Beethoven, um som de clarinete, um concerto do “Sujeito a Guincho”, Paulinho da Viola, um poema do Pablo Neruda, uma frase do Saramago, um livro maravilhoso terminado, uma semente brotando do chão sorrindo em forma de uma plantinha, o olhar amoroso de seu cachorro quando você está chorando e ele sabe, uma música cantada pelo João Gilberto, ou pela Elis, ou pela Ella, ou coisa assim.

Hoje, e ontem, infelizmente, me falta totalmente o sorriso.

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