Ser infeliz e’ MUITO seguro (?!?!)

Sim, eu fico nervosa (brava mesmo). Pra caramba.

Porque eu estou sempre rindo, há uma PROFUNDA falta de compreensão de eu também ter o DIREITO de ficar triste, doente, mal humorada, nervosa, raivosa ou simplesmente sizuda. Alegres são idiotas para TODOS, basta ver que JAMAIS um filme de comédia vai ganhar Oscar de melhor filme. Sempre drama ou, no máximo algum tipo de aventura impossível, de outra dimensão, porque o ser humano DE VERDADE não pode nem rir demais, nem se aventurar demais. Senão é louco. Ou burro. Ou as duas coisas.

Por isso, hoje, fecho meu riso, como tantas vezes: eu simplesmente ODEIO ficar ouvindo o que eu devo ou não devo fazer. E não tem ABSOLUTAMENTE NADA a ver com o fato de ser teimosa (sim, sou teimosa) e não aceitar conselhos, ou recomendações. Eu juro que escuto e penso a respeito de TODOS os conselhos. Mas não precisa repetir tanto. Se eu não faço, é porque não concordo, e se faço, já me convenci, não precisa desenhar!

Mãe, pai, irmãos, amigos, enteados, marido, parentes, conhecidos, alunos, professores, e até estranhos (sim, eles sempre me recomendam ter escolhido “flauta”, por ser mais fácil de carregar… sim, até estranhos me dão ordens ou conselhos furados e batidos – TODOS OS DIAS). Estas pessoas todas, ou seja, TODAS as pessoas, simplesmente não aceitam o fato de você ser como é (ou tentar MUITO ser), não aceitam que você já ouviu 234.987.762.009 vezes as MESMÍSSIMAS recomendações e conselhos e também ordens, e que simplesmente já faz o melhor que pode em relação a isso tudo.

Sim, eu tenho certeza absoluta de que sendo toda irritantemente certinha, até mesmo para mim, eu já sei que eu tenho que estar atenta ao dirigir em estrada, principalmente de noite, principalmente chovendo, principalmente se estiver chovendo MUITO, eu é que sei, depois do acidente eu jamais vou conseguir dirigir displicentemente de novo, se é que eu já dirigi… eu já SEI que deveria usar chinelinho e não ficar descalça, não tomar friagem, acordar sempre cedo, dormir cedo, fazer abdominais, estudar escalas 1 h por dia, não beber, comer que nem uma louca pra ficar “fortinha”, me entupir de sobremesas (“comer, comer, comer, comer, é o melhor para poder crescer..”, se lembra? – eu achava esta bosta de música totalmente ofensiva a minha magreza e opinião de não querer definitivamente me entupir de comida). Sim, ao contrário da Revista Boa Forma ou Women’s Health, minha família acha que todo mundo PRECISA comer, e muito.

Vestir a “blusinha” quando estiver frio, olhar pros lados, tomar cuidado, não namorar, não transar para não engravidar. Sim, o MUNDO obriga a boa moça de família a concordar com isso por muito tempo, até ela resolver transar com camisinha – o que não é mesmo mau conselho, por isso mesmo a boa moça aceita – e simplesmente tentar viver. Com aquela culpinha desagradável que todos querem que todos tenham. O Dr. Ângelo Gaiarsa diz uma frase que eu adoro, que é mais ou menos assim: a sociedade vigia todo mundo para não deixar ninguém fazer aquilo que todo mundo queria fazer. É mais ou menos isso, desculpe se errei a citação, Prof. Gaiarsa, pessoa que, apesar de ser polêmica, admiro MUITO. Não vou achar em que livro está a citação tantos anos depois e a essa hora da noite.

Eu sou repressora também, às crianças, aos alunos, ao marido, aos pais, aos irmãos. Nem tanto ou nunca, acho, com estranhos, a diferença, eu acho, é que eu tento convencê-los de coisas que eles nunca viram, não pensaram, não aquilo que eles mil vezes já sabem, e, pior, o que eles não concordam nem nunca vão concordar. Pelo menos é o que eu tento. Sim, eu sei, de boas intenções o inferno está cheio, talvez eu até vá para lá mesmo, por causa dessas (não queria mesmo, pois não gosto de lugar cheio de gente, e o ditado já diz que está cheio mesmo, e a voz do povo é MESMO a voz de Deus). Será?

Eu não sou madame, não sou de vidro, nem de cera, nem de açúcar, nem de louça, eu já sei que TENHO que tomar cuidado, e tanto cuidado, mas pelo amor de DEUS, me deixem viver sem medo, sem culpa, sabendo que eu não sou idiota, nem sonsa. Somos vulneráveis, mas não somos exatamente frágeis, não é mesmo?

As pessoas acham MUITO difícil alguém risonho, ou mulher, ou jovem (sim, depende do ponto de vista, alunos) ou simpático (nem sempre tão simpático assim, eu sei, hoje, por exemplo), ou tudo isso junto, ser ao menos um pouquinho inteligente. As pessoas ODEIAM que uma mulher risonha possa ter um mínimo de inteligência. O que as pessoas não percebem mesmo é que com tantos conselhos, elas MATAM uma possibilidade saudável (que eu já acho bem remota, a essa altura de “nãos” e de conselhos e de ordens e de repressões) de o outro ser como ele é ou quer ser, de conversar, de rir, de ser simpático.

Será que eu não poderia nem ter um minutinho por dia para TENTAR pensar sozinha, e fazer as coisas do jeito que eu JÁ sei fazer, ou, do que eu GOSTARIA de fazer? Ou até mesmo do jeito que eu decida um dia fazer? Meu Jesuzinho, como é difícil passar dois minutos sem uma repressãozinha básica! Depois reclamam que as pessoas comem demais, abusam de tudo demais, são revoltados demais, se estressam demais, precisam demais de terapia, floral, yoga, orações, etc, gente, não dá pra dar um passinho sozinho e relaxar!

As pessoas passam por cima do sentimento dos outros que nem tratores, mas se você OUSAR reclamar, jamais será perdoado, pois todo o mundo é MUITO sensível. Os outros não. Como diz a música do grupo Numismata, de que eu gosto muito, “Ah, em matéria de dor eu sou mais eu!”; essa frase eu acho genial.

Se eu JAMAIS ouvisse de novo pra dirigir com cuidado, para me alimentar bem, para me agasalhar quando estiver frio, para tentar fazer tudo da melhor maneira possível, eu tenho CERTEZA que é isso que vou continuar tentando fazer!

Mas, tomar cuidado demais com tudo, não relaxar jamais, ter escolhido flauta, ficar sempre com medo de TUDO, achar que TUDO que eu faço está errado, é uma bosta, ou burro ou ingênuo, nunca mais andar descalça, aí, por favor, não é por maldade nem rebeldia: essas idéias eu vou lutar TODOS OS DIAS para não estarem nunca mais nem na minha cabeça. Porque eu discordo veementemente com o fato de que ser infeliz é muito seguro.

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2 Respostas para “Ser infeliz e’ MUITO seguro (?!?!)

  1. Oi Mê!

    Identifiquei-me muito com este post, risos. Tente passar uma “lua de mel” de um mês com a esposa e com… i genitori (???!), para ver o que é bom em termos de recomendações sobre todos os detalhes da vida.

    Um beijão e.. SE CUIDE HEIN!

  2. Oi, de facto tenho de concordar mais vale nem chegar a saber o que é ser feliz para nunca corrermos o risco de virmos a ser infelizes.
    Bj

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