Conversas que podem transformar uma vida

Há pouco mais de um ano, talvez dois, pois às vezes perco um pouco a noção do tempo, conversando com uma amiga, Edilaine (quem conhece sabe que é uma pessoa especial), que até então era apenas uma conhecida, (ela, que é uma pessoa muito querida por muitos), se abriu muito para mim em relação à sua própria vida e às suas aspirações. E então, no andar da conversa, em que eu deixei transparecer mais do que queria, ela me fez a pergunta fatídica: “Então, quer dizer que você ainda não faz o que tem vontade?”, se referindo a tocar cello em orquestras e dar aulas…

E como eu sou uma maluca que não sabe se defender de perguntas diretas e difíceis, como acabo sempre fazendo nessas situações, acabei sendo absolutamente sincera e dizendo tudo que tinha pra dizer: “ Não!” e ainda continuei: “Se eu pudesse cantar sambas largava tudo agora!”. (PS. Não me pergunte nada que não quer ouvir a resposta, pois eu respondo!)

Fiquei chocada com minha própria resposta.

Os alunos, por favor, não se perturbem com essa resposta, pois se tem algo que AMO fazer e em que me REALIZO TOTALMENTE, e, sinceramente, que há mais de dez anos eu SEI que tenho talento, é dar aulas. Mas, sim, é verdade, se eu pudesse cantar música brasileira, sambas em especial, eu seria REALMENTE 100% feliz. Essa época de carnaval é a época perfeita para fazer esse tipo de revelações, não é?

Fiquei SUPER chocada com minha própria resposta, como se uma bigorna, ou um piano de cauda (“Piano na Mangueira”…), daqueles de desenho animado, tivesse caído em minha cabeça.

Claro, desde o desejo de infância de desfilar na Mangueira, até o desfile na Gaviões da Fiel (faz tempo, infelizmente não deu mais, por causa de grana, realmente é muito caro, para começos de ano, principalmente), já havia essa formiguinha do samba, dentro de mim. Sempre disse que um dos momentos ápices da minha vida foi passar, totalmente anônima, em frente à bateria maravilhosa, sempre nota 10, da Gaviões da Fiel. Tudo em mim vibrava, corpo, alma, sensação inesquecível. Se você tem vontade de desfilar, faça. Não dá pra passar pela vida sem isso.

Daí em diante, daquela conversa, várias coisas pequenas foram acontecendo. Já havia muito tempo que meu rádio do carro e meu mp3 só tocavam MPB. Comecei a me definir como uma sambista disfarçada de violoncelista, e, um dia, indo para o Rio de Janeiro para tocar com a Maria Zélia, e atribulada com muitos sentimentos, compus meu primeiro samba. Sou musicista, fiz faculdade de Letras, e não sou burra: vi que não estava nada mal. Letra e música.

Depois, comprei um tamborim, mas ainda não consegui aprender grande coisa, a única coisa que eu digo é: 2011 eu saio numa bateria de escola de samba. Comecei então a brincar de escrever música. Já tenho umas 8, 5 delas são sambas, uma ainda só tem a música, estranhamente não a imaginei com letra, como as outras. Sei que umas 4 estão bem razoáveis. Levei a música que fiz pro meu marido (a segunda), cantei pro meu pai, suando de nervoso, e ele começou a tirar o acompanhamento no violão. Passados alguns meses, comecei a fazer, agora, aulas de violão, para, pelo menos, aprender a colocar cifras nas minhas músicas. De repente, na semana passada, meu pai, eu e meu professor de violão estávamos cantando e tocando meu samba. Ele virou, magicamente, virou realidade. Meu pai está sempre cantarolando, até cantou meu samba imitando o Francisco Alves, ficou super legal!…

Agora, passo alguns momentos, enquanto dirijo, cantando minhas próprias músicas. Elas estão virando minhas amigas.

Por enquanto, encaro como uma brincadeira essa coisa de compor. Se vai dar em algo não sei, mas estou me divertindo, e, de repente, aquela conversa simples, de viagem, virou uma realidade, uma alegria e uma realização. Muito obrigada, querida amiga!

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2 Respostas para “Conversas que podem transformar uma vida

  1. Meryelle
    cadê esses sambas, que até agora não ouvi nenhum?!
    Vamos popularizar, hehehehe…
    Bjs

  2. Querida Meryelle,
    Fiquei muito feliz com o seu texto! Não tira não. Viver é compartilhar!
    Bjs
    Edilaine

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