Sou gente boa, mas implicante pra caramba!

Desde que eu me conheço por gente, talvez até antes, sempre soube que eu era gente boa, do bem, vamos dizer assim. Não sou de fazer maldade, nem inimigos, não dava estilingada em passarinho nem pisava em formigueiro, não colava em prova, não tinha vontade de bater em ninguém na escola. Não estou dizendo que sou uma pessoa muito boa, sei que falta melhorar muito, muito, muito e sei, em muitas coisas, o que precisaria melhorar – estou trabalhando muito nesse projeto de aperfeiçoamento pessoal, há muito tempo. A primeira coisa delas é tentar parar de implicar com tudo: implicar é um sofrimento, vocês vão ver.

O que quero dizer é que não tenho grandes maldades, não cometi grandes pecados, não guardo grandes rancores, não quero (muito) mal a ninguém (não disse que era perfeita… muito pelo contrário…).

Confesso que torço um pouquinho para que algumas pessoas NAO se dêem bem – não torço para que se dêem mal, o que e’ muito diferente. Principalmente políticos – confesso, odeio TODOS (voto nulo há duas eleições, porque ninguém mais pode me convencer de NADA, em política!), assassinos, seqüestradores e um ex amor, em especial – só não acho justo que eles se dêem bem. Pessoas de muuuita maldade. E só.

Juro que quero o bem até de meus concorrentes, pois eu realmente acho que tem espaço para todo mundo que trabalhe honestamente, além de achar que concorrência traz qualidade. O brilho dos outros pode me iluminar, além disso. E costumo falar para os que admiro, de boca cheia, que os admiro muito – foi o que fiz com o Antonio Menezes, por exemplo, que nem me conhece – mas também, né, o que é aquele homem tocando? Um sonho! Mão direita maravilhosa, esquerda precisíssima (existe essa palavra?), haja horas de estudo e haja profundidade de alma para sair aquilo tudo do violoncelo dele! Bravíssimo, Menezes! Orgulho para todos os violoncelistas do Brasil! Foi o que falei para ele.

Bem, sei que sou do bem (vocês já começaram a duvidar, a essa altura), mas um dos meus grandes defeitos é que sou muito implicante. Implico com TUDO! Tudo mesmo! De mim mesma a maestros (qualquer um e por quase TODAS as razões), implico com TUDO! Vai aí uma pequena amostra de como alguém pode ser chato, como eu!

Implico com a língua presa do Lula, por exemplo. O que é aquilo? Já o vi – infelizmente – pessoalmente, em um evento no qual eu toquei: ao vivo, juro, a dicção dele é ainda pior! Não conseguia entender NADA. Ele não tem mesmo grana para pagar um fonoaudiólogo? Puta preguiça! Péssimo exemplo: líder nacional preguiçoso! É essa triste herança genética do Macunaíma: “Ai que preguiça!”

Como eu sempre fui uma pessoa “sem parada”, desde a barriga da minha mãe, e não tenho medo nenhum de trabalhar e não me identifico com preguiça, implico também com a tradicional preguiça brasileira: já reparou que brasileiro tem desculpa para tudo? Sempre se tem a desculpa para a infelicidade, na pontinha da língua e, claro, a culpa é SEMPRE de algo externo!!!

Implico com gente que joga lixo na rua, tenho nojo de quem abandona cachorros (aqui na Serra é toda hora!), essa semana mesmo está lá, ainda, na chuva, num cestinho, largada, uma vira-latas linda com seus SEIS filhotinhos recém nascidos – quem faria uma coisa dessas? Como dorme depois disso? Implico mesmo, como não?

Implico com qualquer coisa, por exemplo, homem que olha pra os bicos dos peitos da gente, enquanto a gente fala: como eles podem achar que nós não vemos isso? Eu tenho vontade de parar de falar e esperar a reação, mas isso pode ser muito sutil… coisa que essas pessoas parecem não entender. E tique nervoso, por exemplo: por que a pessoa não é alertada pela família? E tenta resolver isso? Será que não dá mesmo para resolver?

Implico com gorda que só usa roupinha apertada e justa, e mais ainda com quem usa aquela roupinha 3 números menor que seu figurino ideal. Será que a pessoa realmente não sabe que está feia? Será que não tem noção nenhuma mesmo? Implico muito com calça saruel (parece que a pessoa cagou – não tem outra palavra – e está tudo ali, guardadinho!), implico com aquelas botas plataforma, estilo Frankestein! Quem participa desse complô que inventa as coisas que estarão na moda na próxima estação? Pelo amor de Deus! Querem resgatar de todo jeito a moda dos anos 80 – a pior moda desde as roupas de peles da idade da pedra! É tudo tão feio, mas sempre a maioria das pessoas, a “boiada” cai e compra – e ano que vem ninguém vai conseguir nem olhar para calça saruel! Implico também com aquela eterna camisa pólo, listrada e com brasão, do Faustão (tem coisa mais cafona que roupa com brasão?).

Você está vendo: sou chata pra caramba. Meu dentista, que é uma figura que adora zoar com seus pacientes, uma vez, achando que eu ia me defender, me disse: “Você tem uma cara de ser daquelas mulheres bem chatas, né?” E eu respondi, na lata: “Sou mesmo, chata pra caramba!” Ele gargalhou e lamentou a sorte de meu marido! Mas é verdade mesmo! Meu maior defeito é implicar.

Implico com a roupa dos outros, com a conversa fiada dos outros, com a porquice dos outros… sabe aqueles que assoam o nariz no chão ou na mão, no meio da rua? Credo! Implico muito! E Mauricinho dentro de carrão, “limpando o salão”? Credo! E homem cheio de estudo que esquece que uma pessoa educada deveria tomar banho todo dia? E com a falta de uso de desodorante, puxa vida, é tão baratinho! Tem sabonete e desodorante super barato! Só custa mesmo o respeito com o nariz alheio – e o pior é que meu nariz é absoluto!

Também implico com o chapéu do Manuel Zelaia (como o Salomão Schartzmann falou na rádio Band News, dizendo que ele também implica muito com as coisas), implico com a cara de bazófia do Hugo Chávez (como vocês vêem, políticos realmente me despertam o que eu tenho de pior)! Parece uma criança brincando com seu brinquedinho caro (o seu país), e se exibindo pras outras criancinhas…

Implico com Xampu (sim, existe essa palavra em português, com x mesmo, não implique comigo!) Antifrizz! Que diabos! Quem inventou essa bobagem? Não podia ter dito “anti cabelo arrepiadinho?”. Ia ficar bem brasileiro, quase mineiro. Implico com as coisas e lojas terem sempre nomes em outra língua, inglês, principalmente (falta de orgulho dessa língua tão linda que é o português!), implico com as milhares de pessoas que usam bonés e camisetas com marcas (Hang Loose, Quick Silver, etc – tá vendo? Inglês!). Se você anda pelo centro de São Paulo ou no metrô, vai ver que 90% dos homens jovens estão assim, uniformizados.

Implico com o bico de pato das mulheres famosas e “fabricadas” pelas plásticas, todas com cara de tamborim, todas iguaizinhas `a Elza Soares (quem, apesar da plástica, adoro). Não posso nem olhar para a primeira dama ou para a Marta Suplicy!…

Também implico muito com o mundo acabando, mas a Globo está passando sua novelinha! Programação normal! O terremoto do Haiti foi noticiado no fim do Jornal Nacional, como se fosse nada, e só três horas depois (sim, eu estava esperando alguma notícia) é que se falou novamente alguma notícia, no Jornal da Globo! Mais de meia noite!

Implico muito com essa sociedade que esqueceu quando, como e por que parou de ver os semelhantes como irmãos, implico comigo mesma por ser dessa sociedade e ter que passar por alguém caído na rua, no chão, e não poder fazer NADA! Todos os dias!

Com essas e outras, quem lê pode estar pensando que não implico comigo (você deve estar pensando “quem ela pensa que é?”), mas a verdade é que não há pessoa mais maldosa comigo do que eu mesma. Por favor, quando me vir por aí reclamando e rosnando, pode ter certeza: estou exercendo o maior dos meus defeitos! Implicando e sofrendo sozinha! Quando será que vou relaxar, viver sem julgar, seguir uma das oito nobres verdades budistas, a do “pensamento correto”, quando vou “evoluir”?

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6 Respostas para “Sou gente boa, mas implicante pra caramba!

  1. Olá, também sou do bem e também sou implicante. Implicância é raiva acumulada!
    Bjs.

  2. Olá! Eu sou como você: implicante! Odeio isso em mim. Sou muito crítica, e na maioria, das vezes critico até demais! Vejo coisas que ninguém vê, interpreto as coisas de um outro jeito: sempre com um olhar mais maldoso, eu confesso!
    Acho que isto, esta implicância, é como se fosse uma “revolta reprimida”. Observamos tanto o mundo e as coisas, e pensamos tanto nisso, que acabamos nos incomodando com as coisas e retrucamos em outras. Acabamos por ser implicantes! Até a minha implicância me incomoda e no fim, termino implicando comigo mesma!
    Enfim, quero te dar uma força e dizer que você não está sozinha nessa! Implicar faz parte e é o nosso defeito, fazer o quê?

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